O princípio da histeria
Sabe aquela velha história: Tô a fim de você, mas me faço de difícil ou armo a ceninha típica do te-quero-não-te-quero? Aqui na Argentina esse comportamento é batizado de histeria. Para simplificar, é a mesma coisa que no Brasil a gente chama de frescura (ou, com o perdão da palavra, cu doce).
O mais curioso é que essa maneira de atuar é muito normal por aqui. A princípio eu escutava que as mulheres argentinas eram histéricas. Era normal ouvir dos homens: “fulana es una histérica!”. Isso me fazia pensar: Será que elas gritam como loucas ou algo do gênero? Mas não. Para a minha surpresa, descobri que essa expressão era usada quando a menina queria fazer gênero com algum rapaz, porque assim pensava que ia conseguir amarrá-lo com seu jogo. E o pior é que trata-se de um jogo mesmo, do tipo “Não te quero, mas também não te deixo”.
A culpa é deles ou delas?
Entretanto, como aquela velha história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, está presente em todas as culturas, pude perceber que os homens também se comportam da mesma maneira. Então: Quem começou a ser histérico primeiro? A histeria feminina fez os chicos reagirem assim, ou elas simplesmente são dessa forma em razão de um ritmo que eles imprimiram?
Sou curiosa por natureza e estou sempre questionando minhas amigas e amigos sobre o tema. Claro que um joga a bomba na mão do outro e talvez, como na história do ovo e da galinha, esse dilema não tenha uma resposta precisa, mas, enquanto isso, eu vou pesquisando.
Se vamos aos exemplos da vida real, posso dizer que vejo meninas que atuam de maneira aberta e sincera e, por outro lado, rapazes que adoram bancar os “confusos” e vice-versa. Não é um privilégio só deles ou delas. Minhas pesquisas acontecem normalmente nos happy hours ou nos almoços com meus colegas. Vale lembrar que tenho uma mostra interessante, tendo em consideração que sou a única mulher dentro de uma equipe de 18 integrantes.
Às vezes nem preciso jogar o assunto na roda. Parece que é um tema que não tem fim e nem resposta e todos adoram discutir. Eles assumem que são histéricos e que, na maioria das vezes, gostam de um toque de histeria das meninas. Mas há um porém, os homens topam que role esse joguinho somente com as mulheres que, segundo eles dizem, valem a pena. Entre outras palavras, se a fofoleta é bonita e tem dotes físicos interessantes, os carinhas vão suportar qualquer frescura dela. Além disso, como dizem meus amigos, essa velha estratégia de demonstrar que não quer nada quando em realidade está muito a fim, dá um tempero à conquista.
Numa dessas conversas vespertinas escutei: “El chamuyo es el hijo de la histeria”. Só para explicar, chamuyo é… Bom, melhor deixar essa história para outro dia, quando eu tenha alguns happy hours mais no currículo.
Escrito por Mari às 23h42
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