Por que raios vim parar aqui mesmo???

 

 

Depois de tantos posts descrevendo minha experiência de vida em Buenos Aires, resolvi contar como e por qué vim parar aqui. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não acordei um belo dia com a idéia de atravessar a fronteira e vir morar na Argentina. Pelo contrário, minha decisão foi baseada em vários anos de contato com a cultura argentina por meio de pesquisas, viagens e amizades.

Meu primeiro contato com o país celeste e branco se deu quando comecei a estudar espanhol, na época da faculdade. Vale destacar que me interessei pelo idioma não por causa do boom do Mercosul, que na época era novidade (bom, isso a gente pode deixar pra lá porque é “muita informação”, como diz meu amigo Ricardo). Na verdade, sou neta de espanhol e desde criança ouvia meu avô falando comigo, sem entender nada às vezes, admito. Na escola de línguas, meu primeiro professor, que o continuou sendo durante muitos anos mais, era argentino: o Roberto Ortiz. Temos contato até hoje e eu sempre lhe digo que ele é um dos culpados pelo fato de eu estar aqui.

Com o tempo o Roberto me mostrava revistas, músicas e filmes argentinos, fato que foi gerando em mim uma curiosidade muito grande pelo país e sua cultura. Finalmente, no ano de 2002, tirei férias e vim pela primeira vez para Buenos Aires. A cidade me recebeu com boas vindas monocromáticas, ou seja, praticamente cinza. Caía uma chuva fina, mas que parecia não ir embora nunca. Nesse momento pensei: “O que as pessoas vêem aqui? Que lugar deprê!”.

No quarto dia da minha primeira jornada em terras argentinas, o sol resolveu cooperar comigo e, finalmente, deu o ar da graça. Se eu já caminhava como louca em dias de chuva, é quase impossível imaginar o quanto andei pelas ruas portenhas em dias ensolarados. Aí, sim! Parques, mais parques... Praças, ferinhas, monumentos, cafés cheios de gente durante à tarde. Posso descrever essa viagem como um Antes e Depois da Chuva. Sobretudo porque pude salvar poucas fotos, pois a câmera que eu trouxe não funcionou. Não foi por problema de tecnologia, mas sim da falta dela: a máquina era tradicional e, segundo o mocinho da casa de fotografias daqui, “la cámara no agarró la película”. Que ódio!

Comecei a partir daí a confabular minha volta. Afinal, tinha uma justificativa: tirar as fotos que não pude levar da primeira vez. Em 2004 voltei a Buenos Aires. Dessa vez, já existia o desejo de ficar, caso surgisse a oportunidade. Eu só não sabia que as coisas não são assim tão fáceis.

Na segunda viagem passei momentos incríveis, revi amigos, andei muito (como sempre) e, acima de tudo, tirei fotos! Adorava escutar as pessoas pelas ruas falando espanhol. É engraçado, mas eu escutava as crianças conversando e pensava: “Como será que pra mim custa tanto formar as frases e eles falam tão bonitinho, né?”. Coisas estúpidas, mas que passam pela nossa cabeça. Eu desembarquei no aeroporto de São Paulo e me deu uma dor no coração quando ouvi o velho e bom português. Resultado: fui embora novamente e, dessa vez, com gostinho de quero mais!

Até aqui, contei o que despertou meu desejo por vir morar aqui. Outro lado da história é que eu sou uma pessoa, na medida do possível estruturada. Isso quer dizer duas coisas – Primeiro, que não me mudei com mala e cuia, do nada. Foi um projeto que me custou muito esforço e planejamento. Em segundo lugar, esse ponto será realmente outra história, ou seja, será tema para outro post.

 

 



Escrito por Mari às 22h52
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