Este ano fui ao carnaval. Não, eu não segui o trem eléctrico em Salvador e nem saí de destaque na Mangueira. Resolvi mesmo conhecer o carnaval de Gualegaychú, província de Entre Ríos. Isso mesmo! Carnaval na Argentina.
Pois é… Quem pensa que carnaval só existe no Brasil e talvez em Veneza, está muito enganado. Durante todos os finais de semana de fevereiro quatro escolas de samba, que aquí eles chamam de “comparsas”, desfilam no sambódromo, batizado de “corsódromo”.
Minha curiosidade por conhecer o carnaval daqui nasceu basicamente pelas incontáveis vezes que vi matérias sobre o assunto nos telejornais, quando mostravam o quanto essa festa é popular localmente.
A possibilidade de conferir “en persona” a animação das comparsas parecia muito remota, até que um dia meus colegas de trabalho me convidaram para ir com eles, em um grupo grande, passar um fim de semana em Gualeguaychú. Adorei a idéia e topei na hora! Programamos muito.
Até que enfim, chegou o grande dia! A viagem em si já arrancou superdivertida. Cantamos sucessos Pop/Rock argentinos durante todo o caminho. Tanto que passamos a entrada da cidade e não percebemos. Nossa chegada foi digna de pegadinhas do Gugu. Nada dava certo! Uma vez em Gualeguaychu, a aventura seguinte era encontrar o restante do pessoal, que havia ido em outros carros. Éramos 12 ao todo.

Primeira noite da galera na chácara que alugamos, todos mortos de cansaço, às 5 horas da manhã, ou seja, vão todos dormir, certo? Errado! Faltava o batismo da piscina. Eu, como não sou boba nem nada, quando vi que não teria escapatória, coloquei meu biquini e entrei por livre e espontânea pressão na água gelada. Mas sabe de uma coisa? Foi muito divertido. Um grupo extremamente heterogêneo, em que nem todos se conheciam entre si, conseguiu em pouco tempo estabelecer uma excelente sintonia.
Sábado, após ter dormido apenas umas três horas, foi dia de curtir sol e piscina e, como não poderia faltar, um assado tipicamente argentino. Parecia que nos conhecíamos há anos… Todos participando de alguna forma na preparação. Essa noite nos enchemos de ânimo e, enfeitados com colares havaianos, máscaras, chapéus etc, partimos para o corsódromo. Minha grande curiosidade era saber que tipo de música tocaria no desfile.
Nosso “grupete” chegou em cima da hora e, por isso, conseguimos lugares só na geral. No final das contas, a música era uma mescla de cumbia, folclore e um fundinho, mas bem um fundinho mesmo de samba.
À medida que as comparsas passavam a gente te animava mais.
Ao chegar em casa, quase de manhã, alguns dos integrantes do nosso grupo, incluindo eu, tínhamos energia para mais. Tcham! Eis que eu havia levado um CD da Ivete Sangalo! Pulamos até acabar o nível de seguranca da bateria de dois dos carros.
De manhã todos moooooortos… Acordamos e, mais piscina. No final acabamos não indo à prainha, como uma represa, que há na cidade e que dizem que é superinteressante.
Fomos embora na tarde de domingo. Era o fim de um final de semana inesquecível, tanto para mim como para os demais. Uma prova disso foram os emails saudosos que trocamos na semana seguinte.
Eu procurei não julgar e tampouco comparar os carnavais brasileiro e argentino. Cada um tem sua peculiaridade e charme e isso foi o que fez desse fim de semana tão especial.