Olá, pessoal!

Este blog está de mudança. Já levei todos os cacarecos para o www.mariembaires.blogspot.com e espero que me visitem lá!

Prometo ser mais disciplinada e postar mais vezes. Sinceramente, tinha muitos problemas com o formato do blog aqui e não conseguia arrumá-lo direitinho. Espero encontá-los no blogspot.

Beijos!

Mari



Escrito por Mari às 20h25
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Venho recebendo muitas mensagens de gente que quer vir morar em Buenos Aires e quer dicas de como fazê-lo. As perguntas são sempre: como alugar um apartamento, como fazer os documentos para ficar aqui de forma legal, se um brasileiro consegue achar emprego com facilidade aqui, entre outras.

Não é por falta de boa vontade, mas é complicado. Em todos os casos dos comentarios as pessoas me pediam para adicioná-las no messenger e ficar esclarecendo suas dúvidas. Se fosse uma pessoa ou duas, tudo bem. Mas o lance é frequente. Assim que, pessoal, não vou adicionar ninguém e nem posso responder mensagens no email.

Para os que querem saber onde alugar apartamentos temporários, na internet há vários links. Basta dar uma xeretada. Eu não tenho contatos imobiliários aqui e o apartamento que eu moro, consegui alugá-lo por pura sorte.

Outra coisa: Se você quer dar entrada nos documentos, não se baseie por pessoas que já vieram. Cada um teve uma experiência e caso diferente. O que serviu para o fulano pode não servir pra você. Depois que eu cheguei aqui as relações entre o Brasil e a Argentina mudaram muito e, em consequência, a política de imigração também. Busque informação no consulado da Argentina no seu estado ou na Secretaria de Relações Exteriores do Brasil. É até válido pegar dicas em sites e blogs na internet, mas não confie em tudo. Conheço casos de gente que se deu muito mal com isso.

Com relação ao campo de trabalho para os brasileiros aqui, é claro que vão dar prioridade para um argentino na disputa por uma vaga, mas aí também joga tua força de vontade, criatividade e conhecimento. Coloque seu currículo nos sites de empresas e vá tentando...

Bom, espero que entedam que não posso responder a todas as dúvidas, senão teria que me dedicar 100% a isso e não é a idéia. Além disso, esse não é o foco do blog. Acima de qualquer coisa, quero compartilhar minhas experiências aqui em terras argentinas em vários âmbitos. O enfoque não é utilidade pública.

Boa sorte aos que desejam vir se aventurar por aqui!



Escrito por Mari às 23h25
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Meu mundo, meu idioma???

Há pouco tempo descobri que a tradução de "estrela cadente" em espanhol é "estrella fugaz". Chega a ser engraçado que depois de tanto tempo vivendo em solo argentino, recentemente tenha escutado essa expressão. Por outro lado, em espanhol ficou muito mais linda, não é verdade? Não é só uma estrela que cai, mas sim uma estrela que tem vida própria e se apaga quando quer.

Assim como esse caso, após ter ido viver em Buenos Aires, aprendi um monte de palavras novas e tive que aperfeiçoar muito mais meu espanhol, escutando as pessoas, a televisão, lendo revistas e placas nas ruas. No começo não foi exatamente um choque, pois estava psicologicamente pronta para as mudanças. Eu queria aprender mais e mais, absorver o máximo de conhecimento possível. Um simples bate-papo informal com os novos amigos já era um momento para ligar minhas anteninhas e colocar meu cérebro pra funcionar. Com o tempo as coisas se tornaram mais naturais e as conversas fluiam com mais facilidade.

Depois que comecei a trabalhar, com certeza, a situação tomou outra cara. Até hoje preciso me comunicar de forma clara e precisa, de preferência sem derrapar no espanhol. Não posso negar que às vezes fica difícil, pois nos momentos em que estou nervosa por algum motivo, parece que uma tecla louca apagou tudo o que sei de castelhano.

Mistura doida

Para quem pensa que somente meto palavras de português nas frases em espanhol está enganado. O contrário acontece e com muita frequência. Meu português virou uma mistura muito doida. Falo com soquinhos. Dá pra entender isso? É assim: digo uma frase e ao longo dela vão saindo palavras em espanhol e, como me dou conta disso, vou parando e me auto-traduzindo. Isso me deixa meio confusa, mas, quando estou no Brasil, depois de uns três dias, esse "fenômeno" passa.

Não sei se isso acontece com todos, mas pra mim é meio difícil engrenar depois de alguns dias longe de ambos idiomas. Entretanto, basta um pouco de esforço e alguns dias de prática para que tudo volte ao normal.

Há algumas coisas sobre a vida de uma pessoa que vive em um país que fala outra língua que me parecem interessantes... Por exemplo, se você conta dinheiro ou o que for no idioma de onde está morando, dizem que isso significa que já está totalmente acostumado à língua local. Até aí tudo bem, eu conto em espanhol. O grande desafio é sonhar em espanhol! Nunca aconteceu comigo e não sei se um dia passará, mas todos os dias faço o exercício de tentar recordar em que língua falava durante os sonhos. Quem sabe um dia...

Por enquanto vou me surpreendendo com as palavras novas que aprendo, porque, com certeza, há uma infinidade delas que ainda não cruzaram o meu caminho e é uma questão de tempo para que isso aconteça!



Escrito por Mari às 00h00
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O princípio da histeria

 

 

Sabe aquela velha história: Tô a fim de você, mas me faço de difícil ou armo a ceninha típica do te-quero-não-te-quero? Aqui na Argentina esse comportamento é batizado de histeria. Para simplificar, é a mesma coisa que no Brasil a gente chama de frescura (ou, com o perdão da palavra, cu doce).

 

O mais curioso é que essa maneira de atuar é muito normal por aqui. A princípio eu escutava que as mulheres argentinas eram histéricas. Era normal ouvir dos homens: “fulana es una histérica!”. Isso me fazia pensar: Será que elas gritam como loucas ou algo do gênero? Mas não. Para a minha surpresa, descobri que essa expressão era usada quando a menina queria fazer gênero com algum rapaz, porque assim pensava que ia conseguir amarrá-lo com seu jogo. E o pior é que trata-se de um jogo mesmo, do tipo “Não te quero, mas também não te deixo”.

 

A culpa é deles ou delas?

Entretanto, como aquela velha história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, está presente em todas as culturas, pude perceber que os homens também se comportam da mesma maneira. Então: Quem começou a ser histérico primeiro? A histeria feminina fez os chicos reagirem assim, ou elas simplesmente são dessa forma em razão de um ritmo que eles imprimiram?

 

Sou curiosa por natureza e estou sempre questionando minhas amigas e amigos sobre o tema. Claro que um joga a bomba na mão do outro e talvez, como na história do ovo e da galinha, esse dilema não tenha uma resposta precisa, mas, enquanto isso, eu vou pesquisando.

 

Se vamos aos exemplos da vida real, posso dizer que vejo meninas que atuam de maneira aberta e sincera e, por outro lado, rapazes que adoram bancar os “confusos” e vice-versa. Não é um privilégio só deles ou delas. Minhas pesquisas acontecem normalmente nos happy hours ou nos almoços com meus colegas. Vale lembrar que tenho uma mostra interessante, tendo em consideração que sou a única mulher dentro de uma equipe de 18 integrantes. 

 

Às vezes nem preciso jogar o assunto na roda. Parece que é um tema que não tem fim e nem resposta e todos adoram discutir. Eles assumem que são histéricos e que, na maioria das vezes, gostam de um toque de histeria das meninas. Mas há um porém, os homens topam que role esse joguinho somente com as mulheres que, segundo eles dizem, valem a pena. Entre outras palavras, se a fofoleta é bonita e tem dotes físicos interessantes, os carinhas vão suportar qualquer frescura dela. Além disso, como dizem meus amigos, essa velha estratégia de demonstrar que não quer nada quando em realidade está muito a fim, dá um tempero à conquista.  

 

Numa dessas conversas vespertinas escutei: “El chamuyo es el hijo de la histeria”. Só para explicar, chamuyo é… Bom, melhor deixar essa história para outro dia, quando eu tenha alguns happy hours mais no currículo.  

 



Escrito por Mari às 23h42
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Por que raios vim parar aqui mesmo???

 

 

Depois de tantos posts descrevendo minha experiência de vida em Buenos Aires, resolvi contar como e por qué vim parar aqui. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não acordei um belo dia com a idéia de atravessar a fronteira e vir morar na Argentina. Pelo contrário, minha decisão foi baseada em vários anos de contato com a cultura argentina por meio de pesquisas, viagens e amizades.

Meu primeiro contato com o país celeste e branco se deu quando comecei a estudar espanhol, na época da faculdade. Vale destacar que me interessei pelo idioma não por causa do boom do Mercosul, que na época era novidade (bom, isso a gente pode deixar pra lá porque é “muita informação”, como diz meu amigo Ricardo). Na verdade, sou neta de espanhol e desde criança ouvia meu avô falando comigo, sem entender nada às vezes, admito. Na escola de línguas, meu primeiro professor, que o continuou sendo durante muitos anos mais, era argentino: o Roberto Ortiz. Temos contato até hoje e eu sempre lhe digo que ele é um dos culpados pelo fato de eu estar aqui.

Com o tempo o Roberto me mostrava revistas, músicas e filmes argentinos, fato que foi gerando em mim uma curiosidade muito grande pelo país e sua cultura. Finalmente, no ano de 2002, tirei férias e vim pela primeira vez para Buenos Aires. A cidade me recebeu com boas vindas monocromáticas, ou seja, praticamente cinza. Caía uma chuva fina, mas que parecia não ir embora nunca. Nesse momento pensei: “O que as pessoas vêem aqui? Que lugar deprê!”.

No quarto dia da minha primeira jornada em terras argentinas, o sol resolveu cooperar comigo e, finalmente, deu o ar da graça. Se eu já caminhava como louca em dias de chuva, é quase impossível imaginar o quanto andei pelas ruas portenhas em dias ensolarados. Aí, sim! Parques, mais parques... Praças, ferinhas, monumentos, cafés cheios de gente durante à tarde. Posso descrever essa viagem como um Antes e Depois da Chuva. Sobretudo porque pude salvar poucas fotos, pois a câmera que eu trouxe não funcionou. Não foi por problema de tecnologia, mas sim da falta dela: a máquina era tradicional e, segundo o mocinho da casa de fotografias daqui, “la cámara no agarró la película”. Que ódio!

Comecei a partir daí a confabular minha volta. Afinal, tinha uma justificativa: tirar as fotos que não pude levar da primeira vez. Em 2004 voltei a Buenos Aires. Dessa vez, já existia o desejo de ficar, caso surgisse a oportunidade. Eu só não sabia que as coisas não são assim tão fáceis.

Na segunda viagem passei momentos incríveis, revi amigos, andei muito (como sempre) e, acima de tudo, tirei fotos! Adorava escutar as pessoas pelas ruas falando espanhol. É engraçado, mas eu escutava as crianças conversando e pensava: “Como será que pra mim custa tanto formar as frases e eles falam tão bonitinho, né?”. Coisas estúpidas, mas que passam pela nossa cabeça. Eu desembarquei no aeroporto de São Paulo e me deu uma dor no coração quando ouvi o velho e bom português. Resultado: fui embora novamente e, dessa vez, com gostinho de quero mais!

Até aqui, contei o que despertou meu desejo por vir morar aqui. Outro lado da história é que eu sou uma pessoa, na medida do possível estruturada. Isso quer dizer duas coisas – Primeiro, que não me mudei com mala e cuia, do nada. Foi um projeto que me custou muito esforço e planejamento. Em segundo lugar, esse ponto será realmente outra história, ou seja, será tema para outro post.

 

 



Escrito por Mari às 22h52
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Amigos reunidos: Paulinha, Helio e eu.

 

 

Um dia muito especial

 

 

Os amigos, quando são verdadeiros e fiéis, são o maior tesouro que uma pessoa pode ter na vida. É fundamental saber que, nos bons ou nos maus momentos, a gente pode contar com um ombro ou uma palavra de conforto. Por tudo isso, provavelmente, o Dia do Amigo seja tão comemorado aqui na Argentina. É, 20 de julho foi instituído aqui como o Dia do Amigo. Minha amiga paulinha me disse que se deve à influência de um cara que achou que a data em que o homem pisou na lua uniu mais as pessoas, que estavam todas fixadas na televisão, vendo todos a mesma cena.

 

Eu, particularmente, adoro essa comemoração, pois é muito mais democrática que o Dia dos Namorados, por exemplo. Afinal, quem não tem pelo menos um amigo, não é mesmo? Por sorte ou sei lá o que, tenho vários no Brasil e aqui na Argentina. Não é fácil manter as amizades no Brasil estando em outro país, pois com a distância as pessoas vão se afastando cada vez mais e deixando de participar da vida uma das outras. Entendo que é um processo normal e que, pra que isso não aconteça, é preciso uma dose extra de esforço. Mas não é impossível!

 

Aqui em Buenos Aires tenho a amizade de muita gente, sejam eles argentinos ou brasileiros. Esse fim de semana me reuni com amigos muito queridos, com os quais eu rio e choro junto. Eles têm paciência suficiente para escutar minhas histórias doidas, com todos os detalhes. Como sempre digo aqui nesse blog, sou fã incondicional da série Sex and the City e o que eu mais valorizo na história dessas quatro valentes mulheres é a amizade que elas têm entre si. Tudo bem, elas discutem às vezes, mas quem não o faz? Não é mesmo? O pacote vem sempre completo e não dá pra escolher só o recheio ou a parte boa. Temos que viver tudo, 100%.

 

Muitas vezes tive vontade de jogar tudo pra cima e voltar para o Brasil. Nessas horas meus amigos foram fundamentais pra me ajudar a ver que tinha que deixar a poeira baixar e pensar nas coisas de forma mais racional.

 

Meu Dia do Amigo foi muito especial, assim como meus amigos!

Escrito por Mari às 23h41
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                                                                         Tempo de recomeçar

 

Chegou o mês de julho. É a metade do ano e, para pessoas procrastinadoras como eu, isso soa como um enorme alarme, que dá voltas pela minha cabeça dizendo: “Vamos, Marília, faça alguma coisa antes que o ano termine e você deixe para trás tudo o que foi projetado para esse ano”.

 

Lembro-me que havia prometido a mim mesma que ia começar a fazer ginástica ou algo que me tirasse desse marasmo físico que vivo atualmente. Aqui em Buenos Aires, essa é uma época de inverno, o que significa um frio intenso e dificuldade em fazer esportes ao ar livre. Devo assumir que venho deixando pra depois várias outras coisas também. Por exemplo, queria ser mais assídua nos meus posts aqui nesse blog, mas o fato é que saio do trabalho todos os dias e chego em casa meio tarde, já muito cansada para qualquer outra atividade.

 

Quem sabe julho seja a oportunidade para recomeçar! Vou fazer deste mês a chance de colocar em minha vida novos propósitos e objetivos até o fim do ano. Quem sabe o que me espera no segundo semestre, não é mesmo? Talvez crescimento profissional, mais amigos (amo os que tenho hoje, que isso fique bem claro!), e, por quê não, um novo amor?

 

Sempre que alguém me pergunta se estou buscando um namorado, digo que não. Buscando mesmo, não estou. Mas não há nenhum mal encontrar alguém bacana que me faça companhia, não é mesmo?

 

Ontem eu estava conversando com a minha amiga Paulinha e ela me dizia exatamente isso: “Ma, você poderia encontrar alguém para te acompanhar no dia-a-dia”. Ela me falou isso justamente durante um fim de semana em que eu estive de cama, com dor de estômago. Sou muito independente, mas, devo admitir que ter alguém pra segurar tua mão e falar “estou aqui” pode soar reconfortante.  

 

Ninguém pode negar que Buenos Aires é uma cidade com homens bonitos e alguns deles bem interessantes. Quando a questão é admirar o “meio ambiente”, esse lugar é um colírio para os olhos.

 

Enfim, o fato é que o segundo semestre acaba de arrancar e tudo pode acontecer. Através desse blog vou contando o que pude colocar em prática na minha vida. Bom, isso se eu também cumprir a minha própria promessa de escrever mais aqui...

 

 

 



Escrito por Mari às 22h19
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Confesso: Odeio San Valentin!

 

 

12 de junho. Essa data te diz alguma coisa? Para mim, pelo menos, não representa absolutamente nada. Será o dia de algum santo? O que? Dia dos Namorados? Que é isso? Ai, não acredito... Mais uma vez essa mesma balela.

Mas peraí! Estou na Argentina! Ufa, me safei!  Aqui o dia 12 não tem nenhum significado e até prefiro assim. Afinal, passar novamente o Dia dos Namorados sem namorado é, como se diz aqui, “um garrón”. As pessoas parecem pensar só nisso e, sobretudo, o comércio nos bombardeia com a idéia de que se você está sozinha nessa época, é uma looser. Lembro-me que, quando morava no Brasil, algumas pessoas saíam desesperadas procurando um par somente para não passar esse dia "solteiras".

Entretanto, não posso me esquecer que em Buenos Aires o pessoal resolveu de uns anos para cá comemorar o Dia de San Valentin. Bom, não preciso nem dizer que freqüentei as festas anti-San Valentin e divulguei aos quatro ventos o site www.odiosanvalentin.com. Vale a pena conferir. É muito divertido. Dá, por exemplo, pra eletrocutar o San Valentin e descarregar toda sua raiva.

Na noite do dia 12 de junho vou estar, provavelmente, no meu apê, descansando. Descansando da noite anterior, porque quarta-feira aqui é dia de after office!!! Isso, sim, é motivo pra se comemorar. Então, viva o after office!!!

 



Escrito por Mari às 23h04
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                                                                                                             Dois anos...

 

15 de abril de 2008 foi um dia muito especial. Completei nessa data dois anos em Buenos Aires. Passou tão rápido que não posso nem acreditar! Parece que foi ontem que eu estava fazendo as malas, pensando no que teria que trazer e despedindo-me da minha família e dos meus amigos.

Passei muitos momentos bons e outros nem tanto. Pra falar a verdade, é melhor nem lembrar desses maus bocados. O que ficou no passado está morto e enterrado. Gosto de lembrar das coisas boas. Essas, sim, gosto de recordar. Como minha viagem a Bariloche, as tardes superengraçadas regadas a muito mate no escritório, rindo com a Silvi e o Alejandro. Queria fazer um parêntesis aqui e contar que ninguém, mas ninguém fala “mieeerrrrrrrrda” como o Ale.

Como esquecer das longas conversas sobre todos os temas possíveis e imagináveis com a Eliana e a Cíntia no breakroom? Altos papos e altas fofocas. As facturas com a Paulinha e o Helio no fim de tarde também ficaram marcadas. As risadas com a Yamis e a Vanesa. E há não muito tempo pude participar da caravana da alegria ao carnaval de Gualeguaychú. O mais legal dessa viagem é que pude vivenciar de maneira muito profunda o entorno que me cercava, através das pessoas e seus costumes.

Se hoje alguém me pergunta se eu deveria ter vindo mesmo morar em Buenos Aires (como realmente muitos já me perguntaram) eu poderia responder que sim. Fazendo um balanço rápido, poderia concluir que valeu muito a pena. Não vim fazer dinheiro, não me tornei rica, e tampouco encontrei o grande amor da minha vida aqui. Talvez essa experiência tenha feito de mim uma pessoa diferente hoje. Diferente do que eu poderia ser sem ter vivido tudo isso.

Às vezes morro de saudades do Brasil, da família, dos amigos, mas é hora de olhar pra trás e recordar a escolha que um dia eu mesma fiz ao vir para cá. Quando fiz minha trouxa e me mandei pra Buenos Aires sabia que enfrentaria momentos difíceis, de lutas e solidão. Entretanto, eu estava muito obstinada e não mudaria de idéia por nada nesse mundo. Ou melhor, por muito poucas. Costumo dizer que o “SE” (se eu não tivesse vindo, se tivesse mudado de emprego...se, se, se) me mataria para o resto da minha vida. Eu tinha que arriscar!

O tempo passa rápido. Passa rápido no Brasil, na Argentina...Enfim, acho que preciso encontrar um lugar que eu possa parar o relógio!    

 

 

 



Escrito por Mari às 00h00
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Meu cantinho...

 

Que as mulheres vivem pensando em roupas, sapatos, bolsas, entre outras coisas essenciais para a nossa sobrevivência, disso não há dúvidas. Entretanto, chega um momento que olhamos ao nosso redor e queremos mudá-lo também. Isso é exatamente o que está acontecendo comigo.

Não, eu não estou me engajando numa campanha humanitária. Na verdade, moro há um ano e meio numa kitnet no bairro de Alto Palermo, e quero repaginá-lo. Meu bairro é muito bacana, com um monte de lojas, restaurantes e sorveterias perto, além do shopping Alto Palermo, obviamente. Mas meu apê, tadinho, é bem pequenininho, ou melhor, mínimo. Por isso, estou vivendo atualmente uma incursão louca por lojas de decoração.

Estou numa andança tremenda! Já passei por vários bairros: Palermo, Recoleta, centro, San Telmo... Mas esta semana, quando fui ao bairro Once para uma reunião de trabalho, vi um monte de lojas com tudo o que eu queria e à metade do preço. É mais ou menos uma versão argentina da 25 de Março, mas com os segmentos meio separados. Roupas numa parte, coisas para casa em outra e assim por diante.

Voltando a falar sobre o meu rincão, não penso num apartamento superluxuoso, mas quero algo que tenha a ver com minha personalidade, que acho que é clássica e com uma pitada de ousadia. Estou muito animada e minha atenção está ultimamente voltada somente para o assunto da decoração. Gosto de receber os amigos em casa, de viver num lugar onde eu me sinta bem. Estou cuidando de cada detalhe: cores, almofadas, plantas, lustres. Afinal, é meu cantinho, né?

Enfim, amanhã é sábado e tem mais andanças a procura do lustre perfeito. Até mais!

 



Escrito por Mari às 01h10
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                                                                                               Será que ele vem?

 

 

Todos os anos, desde que me mudei pra Buenos Aires, fico maravilhada com as vitrines de lojas de acessórios para o inverno. São cachecóis, toucas, luvas de todas as cores e tudo mais que nos fazem enlouquecer! Eu, claaaro, já comprei tudo isso que citei acima e estou super-preparada para enfrentar a temporada gélida. Mas tem só uma coisinha: Pelo jeito que as coisas vão, parece que não vamos ter inverno este ano.  

Para se ter uma idéia, hoje é dia 19 de maio e o frio ainda não deu sinal de vida. E tem mais... Os termômetros hoje marcaram 31°C. É mole? Essa tarde suei a camisa literalmente.

Isso me deixa intrigada porque, no ano passado, por exemplo, o período invernal foi tão rigoroso que chegou a nevar! É isso mesmo. Dizem que antes disso, a inesperada neve havia caído há mais de 90 anos na Capital Federal pela última vez. Ver os floquinhos caindo do céu Foi lindo, e congelante!

Bom, o fato é que está demorando para o nosso amigo inverno dar o ar (frio) da graça.

Meu texto não quer dizer que sou uma super-fã do inverno, mas sim que odeio o verão daqui. Além disso, preciso usar todos os acessórios que adquiri nos últimos dois meses. Hoje mesmo não resisti e comprei uma boina estilo francesa, que eu adoro! No momento de pagar não me contive e disse à vendedora: “Se não esfriar esse ano, depois de comprar isso, eu tenho um treco!”. Ela só sorriu e respondeu: “Há previsão de chuva pra hoje. Talvez refresque um pouco o clima”. Ela não me pareceu muito confiante, mas numa coisa ela tinha razão: está de fato chovendo!  



Escrito por Mari às 22h54
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Carnaval 2008

 

Este ano fui ao carnaval. Não, eu não segui o trem eléctrico em Salvador e nem saí de destaque na Mangueira. Resolvi mesmo conhecer o carnaval de Gualegaychú, província de Entre Ríos. Isso mesmo! Carnaval na Argentina.

Pois é… Quem pensa que carnaval só existe no Brasil e talvez em Veneza, está muito enganado. Durante todos os finais de semana de fevereiro quatro escolas de samba, que aquí eles chamam de “comparsas”, desfilam no sambódromo, batizado de “corsódromo”.

Minha curiosidade por conhecer o carnaval daqui nasceu basicamente pelas incontáveis vezes que vi matérias sobre o assunto nos telejornais, quando mostravam o quanto essa festa é popular localmente.

A possibilidade de conferir “en persona” a animação das comparsas parecia muito remota, até que um dia meus colegas de trabalho me convidaram para ir com eles, em um grupo grande, passar um fim de semana em Gualeguaychú. Adorei a idéia e topei na hora! Programamos muito.

Até que enfim, chegou o grande dia! A viagem em si já arrancou superdivertida. Cantamos sucessos Pop/Rock argentinos durante todo o caminho. Tanto que passamos a entrada da cidade e não percebemos. Nossa chegada foi digna de pegadinhas do Gugu. Nada dava certo! Uma vez em Gualeguaychu, a aventura seguinte era encontrar o restante do pessoal, que havia ido em outros carros. Éramos 12 ao todo.

                                                                Silvina e eu no congestionamento na estrada. Mas como tudo é festa, foi também uma parada para fotos.

Primeira noite da galera na chácara que alugamos, todos mortos de cansaço, às 5 horas da manhã, ou seja, vão todos dormir, certo? Errado! Faltava o batismo da piscina. Eu, como não sou boba nem nada, quando vi que não teria escapatória, coloquei meu biquini e entrei por livre e espontânea pressão na água gelada. Mas sabe de uma coisa? Foi muito divertido. Um grupo extremamente heterogêneo, em que nem todos se conheciam entre si, conseguiu em pouco tempo estabelecer uma excelente sintonia.

Sábado, após ter dormido apenas umas três horas, foi dia de curtir sol e piscina e, como não poderia faltar, um assado tipicamente argentino. Parecia que nos conhecíamos há anos… Todos participando de alguna forma na preparação. Essa noite nos enchemos de ânimo e, enfeitados com colares havaianos, máscaras, chapéus etc, partimos para o corsódromo. Minha grande curiosidade era saber que tipo de música tocaria no desfile.

Nosso “grupete” chegou em cima da hora e, por isso, conseguimos lugares só na geral. No final das contas, a música era uma mescla de cumbia, folclore e um fundinho, mas bem um fundinho mesmo de samba.

À medida que as comparsas passavam a gente te animava mais.

Ao chegar em casa, quase de manhã, alguns dos integrantes do nosso grupo, incluindo eu, tínhamos energia para mais. Tcham! Eis que eu havia levado um CD da Ivete Sangalo! Pulamos até acabar o nível de seguranca da bateria de dois dos carros.

De manhã todos moooooortos… Acordamos e, mais piscina. No final acabamos não indo à prainha, como uma represa, que há na cidade e que dizem que é superinteressante.

Fomos embora na tarde de domingo. Era o fim de um final de semana inesquecível, tanto para mim como para os demais. Uma prova disso foram os emails saudosos que trocamos na semana seguinte.

Eu procurei não julgar e tampouco comparar os carnavais brasileiro e argentino. Cada um tem sua peculiaridade e charme e isso foi o que fez desse fim de semana tão especial.

                                                                                          

                                                                                       

 

 

 



Escrito por Mari às 00h41
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Um novo recomeço

Nossa, quanto tempo longe desse cantinho! Também, tantos acontecimentos nesse fim de ano que nem tive tempo para parar e escrever um pouco no meu despretensioso diário. Os últimos dias de 2007 na empresa foram supercorridos e ainda por cima tinha minha flamante volta ao Brasil.

As despedidas do velho ano foram muito animadas, com um saldo positivo pelo menos para mim. Trabalho novo, mais amigos, emoções intensas em todos os sentidos.

Dia 29 de dezembro parti para o Brasil. Após uma espera de quase dois anos, minha chegada ao aeroporto de Guarulhos me deixou muito emocionada. Aliás, emoção vai ser a palavra mais frequente nesse texto, porque, como diz o meu amigo Roberto Carlos: "Foram tantas emoções...". Só pra citar algumas coisas: revi minha família, e quando digo família, me refiro a toooodo mundo. Durante minha passagem pelo Brasil pude participar do casamento da minha querida irmã, Luciana. Que bom estar esse tempo tão importante com ela e com as pessoas que são parte da minha vida.

Não quero dar muitas voltas. Por isso, minha volta a Buenos Aires aconteceu exatamente oito dias depois, com ritmo sonolento e de já muitas saudades do que deixei. Voltei a Baires pensando no aconchego da minha casinha, com minhas coisinhas e todos os chocolates que trouxe. Esse é um novo ano! Uma nova chance de fazer as coisas direito. Por isso, vamos lá. O lance é tentar, né?



Escrito por Mari às 21h33
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Detalhes da vida...

Um dos dias da semana passada, não fui almoçar com meus colegas de trabalho. Queria tomar sol e tentar bronzear minhas pernas transparentes, que há mais de um ano não vêem a praia. Comprei um lanche e fui a uma pracinha que há perto do escritório. Ali, durante uma hora de sol e sanduíche, aconteceram coisas que me fizeram ver que passamos rápido demais pela vida e damos pouca atenção aos detalhes.

Nesse mesmo horário as mães costumam levar seus filhos pequenos, que acabaram que buscar na escola, e o lugar fica cheio de crianças brincando. Vi duas menininhas que se encontraram e, inesperadamente, se abraçaram bem forte. Fiquei sensibilizada. Elas fizeram isso porque queriam, e não porque alguém lhes impôs tal comportamento. Pode-se dizer que foi 100% espontâneo. Tá ok, uma lição que aprendi de duas crianças.

Não havia partido pra sobremesa, e vi uma bebê caminhando. De certa forma, identifiquei-me com ela. Pela idade? Obviamente que não! Mas percebi que, quando ela sentia que ia perder o equilíbrio, preferia se jogar de bunda no chão. Lembrei-me de mim tentando esquiar na neve. Quando sentia que poderia fazer um desastre, jogava-me com tudo. Resultado: manchas roxas por todas partes do corpo e uma dor no traseiro que nunca esquecerei na minha vida.

Antes de ir embora, outra coisa atraiu minha atenção. Um grupo de pombinhas estavam bicando um pedaço enorme de pão e tentando cada uma defender seu bocado. Eis que chegou um passarinho menor, segurou o pão inteiro com seu modesto biquinho, e vôou com tudo sozinho para longe sem que os demais nem sequer se dessem conta. Se pombinhas tivessem feições, eu diria que elas ficaram com caras de bobas. Ao observar essa cena não descobri a lâmpada, mas pude confirmar uma expressão que, pelo menos no caso dos passarinhos da pracinha ao lado, se aplica: Tamanho não é documento!



Escrito por Mari às 23h47
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Hello, passado!

Sempre é tempo de reviver o pasado. Eu, por exemplo, sempre escrevi meus textos no meu bom e velho lap top. Ok, velho. Talvez não tão bom assim. Acho que, devido à sua idade meio avançadinha, meu computador agora se apaga sozinho. Mas, mesmo com esse obstáculo, decidi não deixar de postar aqui. Foi então que resolvi revisitar a minha época de adolescência, quando escrevia cartas à mão. É claro, quando eu era adolescente creio que só a NASA tinha computadores. Este seria apenas un rascunho, e, pra falar a verdade, me senti muito à vontade recordando os velhos tempos.

Essa entrada no túnel do tempo me fez relembrar outras coisas também. Ando pensando muito na minha família, meus amigos, nas coisas que costumava fazer em São Paulo e nos sonhos que tinha para o futuro. Devo admitir que também tive amores importantes lá e não preciso mencionar nomes porque no fundo sabem que estou me referindo a eles. Durante muito tempo contei as histórias dos meus rompimentos às amigas como se fossem piadas e todos riam. Mas, no fundo, talvez eu não via tanta graça assim. Será uma auto-defesa?

Hoje encontrei uma amiga que há muito tempo não a via. Passamos mais de uma hora conversando, de pé, na rua. Em determinado momento do papo, ela me fez lembrar de uma história que lhe contei certa vez. Eu havia pintado as unhas da mão de vermelho para agradar a um namorado e, na mesma semana, quando o esmalte ainda estava intacto, me vi sentada num banco tratando do nosso rompimento. Logo depois meu trauma se traduziu em flashes da imagem das minhas mãos e das unhas vermelhas. Depois disso, nunca mais voltei a usar a mesma cor de esmalte e nem havia me dado conta disso.

Sou uma mulher de 32 anos, independente, com alguns questiomamentos, é verdade, mas também com muitas experiências vividas. Talvez seja o momento de quebrar alguns paradigmas. Comecei com o rascunho deste texto: Deixei de usar o computador e voltei ao caderninho e caneta. Então, por quê não voltar a pintar as unhas de vermelho? Arriba la manicure!!



Escrito por Mari às 01h44
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